quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Vetado o Dia do Orgulho Heterossexual


Um vereador de São Paulo, no Brasil, decidiu colocar para aprovação a criação do "Dia Municipal do Orgulho Heterossexual" mas o projecto foi vetado, segundo a fundamentação, por fomentar o preconceito e a homofobia.

Compreenda melhor
O projecto foi colocado para apreciação pelo vereador Carlos Apolinário, pertencente ao partido político DEM - Democratas.
Na sua visão, o facto de permitir que exista apenas a parada gay, é atribuir um privilégio exclusivo para os homossexuais, que no seu entender causa discriminação nos heterossexuais porque não podem exercer o mesmo direito.



No seu site, Carlos Apolinário continua o seu discurso, indicando que vê "nas novelas e na imprensa um tratamento especial dos gays" e que "alguns se acham no direito de se excederem em público, e ninguém pode falar nada" e ainda reflecte sobre o activismo, dizendo que este deve actuar sobre a homofobia mas "não podemos esquecer que tão grave quanto a homofobia é a heterofobia".

Diz que como cristão respeita a figura humana do gay "mas a sociedade precisa de acordar, e não pode aceitar calada que, sob pretexto de buscar direitos, seja criada uma classe especial de pessoas, os intocáveis que hasteiam a bandeira gay e que quebram o mastro da bandeira da democracia."

Este político, no seu site, tem um outro post dedicado àquilo que chama de ditadura gay que será instaurada caso seja aprovado uma lei contra a homofobia.

No outro lado, Gilberto Kassab, o prefeito da cidade de São Paulo que vetou o projecto.



Nas suas argumentações, Gilberto Kassab diz que "o heterossexual é maioria, não é vítima de violência, não sofre discriminação, preconceito, ameaças ou constrangimentos. Não precisa de dia para se afirmar" e as datas criadas para as minorias servem para estimular "a tolerância e a paz."

Como surgiu a marcha do orgulho gay?
Nova York é a origem desta manifestação.
Em 1968, um bar gay-friendly foi atacado pela polícia. Os clientes, maioritariamente homossexuais, reagiram à carga policial e os donos do bar atiraram garrafas e pedras gritando "Gay Power". O incidente se espalhou rapidamente pelo bairro de Nova York e toda a comunidade LGBT mostrou orgulho em ser quem é e iniciou formas de luta para obtenção de direitos civis.

Concluindo
A ideologia de Carlos Apolinário é uma forma dissimulada de homofobia, reveste-se de argumentos que o senso comum acha correcto para passar uma mensagem errada.

Ele fala dos excessos no comportamento, mas excessos todos cometem, sejam homossexuais ou heterossexuais. Da mesma forma que alguém se pode sentir incomodado por ver dois homens beijando-se ardentemente, da mesma forma um casal heterossexual que não respeita o decoro pode ser igualmente incómodo.

Quero dizer que tantos os heterossexuais como os homossexuais têm os mesmos deveres mas existe diferenças quanto aos direitos.

A marcha gay é muito mais do que o desfile de exibicionismos como muitos dizem ser. A marcha é uma forma alegre de dizer que este grupo precisa de ser respeitado e que pede direitos civis que promovam a sua qualidade de vida.

Terminando, Carlos Apolinário fala sobre a ditadura gay caso a lei da homofobia seja aprovada. O que acho bizarro é um país justo como o Brasil não contemplar na sua constituição, à semelhança de Portugal, mecanismos que impeçam a discriminação.

Em Portugal a homofobia é crime mas ninguém tem uma mordaça na boca. Tem de existir um equilíbrio, um decoro na linguagem. As liberdades individuais de cada um têm de ser respeitadas, as nossas e as dos outros.

2 comentários:

  1. Bem, esse veto não é necessariamente uma medida humanitária, é mais uma questão política.

    O tal prefeito em questão, Gilberto Kassab, até pouco tempo atrás era do DEM, mesmo partido do vereador Apolinário. Recentemente Kassab fundou um partido novo, o Social-Democrata (PSD), que a propósito, ainda está em processo de homologação.

    Ou seja, essa história é mais uma picuinha política do que qualquer outra coisa. Em outros tempos, quando integrante do DEM, Kassab talvez aprovasse o projeto sem dar uma letra!

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  2. O destino tem cada coisa. Querendo atrapalhar a vida ao adversário e acaba por fazer uma boa acção.

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