segunda-feira, 29 de junho de 2015

Sangrentas tradições portuguesas


Portugal é um país peculiar que conserva as tradições seculares ao passo que tenta evoluir para um pensamento colectivo mais fraternal e respeitoso com os outros e com a natureza mas por vezes os valores chocam e torna-se incompreensível como ainda existem coisas destas

Touradas de morte

Por lei, as touradas de morte são proibidas mas Barrancos, uma terra do Alentejo, nunca quis saber disso e sempre fugiu à lei. Quando o escândalo rebentou a coisa complicou-se.

De um lado os direitos dos animais e dos pensadores que consideram bárbaro o espectáculo sangrento, do outro a povoação que temia que se terminasse com a sua tradição.

Foi então discutido no Parlamento português se deveria existir ou não alguma excepção à lei e decidiram o seguinte:
"a realização de qualquer espectáculo com touros de morte é excepcionalmente autorizada no caso em que sejam de atender tradições locais que se tenham mantido de forma ininterrupta pelo menos nos 50 anos anteriores à entrada em vigor do presente diploma, como expressão de cultura popular, nos dias em que o evento histórico se realize".
De forma simples, a nova lei diz que se aguentarem durante 50 anos a cometer ilegalidades podem então continuar a fazer o vosso espectáculo que faremos vista grossa para a vossa barbárie. Uma espécie de prémio por serem teimosos e acharem que só devem respeitar as leis que lhes convém.

Perdoem-me todos aqueles que acham lindas as touradas, sejam elas com ou sem touros que acabem chacinados na arena. Bater palmas porque um homem consegue infligir sofrimento num animal é doentio e perverso.

Enterro do Galo

Conhecem aquela sentença medieval de enterrar uma pessoa pelo pescoço num buraco na terra e atirar-lhe pedras até a matar? No enterro do galo há duas diferenças fundamentais, a primeira é que não é uma pessoa que está num buraco mas um galo, depois não se usam pedras mas paus.

O enterro do galo é uma tradição na aldeia de Ruivós associada aos festejos do Carnaval e entrada no período da Quaresma.

A população reúne-se para fazer o enterro do galo pelo cabeça e depois de olhos vendados tentam matar o galo à paulada para felicidade de todos que estão a olhar. Depois os participantes se reúnem para comer o animal.


A população pode alegar que fazem isto pelo convívio e que o animal é morto para consumo mas há formas mais dignas de matar o animal para o comer de seguida.

A queima do gato

Se acham que já ouviram de tudo, preparem-se para esta tradição doentia.

Em Mourão, uma localidade do norte do país há uma tradição bizarra que teve origem numa praga de formigas que atacava as crianças e por um motivo que se desconhece começaram a utilizar um gato preso dentro de uma vasilha de barro que é atada no topo de um mastro forrado a palha.


A população incendeia a palha que vai consumido a corda com as chamas. A vasilha solta-se do topo do mastro, cai no chão e o gato fica livre.

O vídeo que circula na Internet vê-se o pelo do gato em chamas para prazer de todos enquanto grita e corre para tentar fugir.


A dona do gato foi entrevistada para um canal de televisão em que se mostra pouco sensível para os sentimentos do animal. Chamou ainda de burros a quem se indignou com as imagens e considera que é um ataque à população.

Quando questionada se era cruel respondeu que "não, porque tradição é tradição" e não há mal nenhum porque o gato não morreu e está bem.

Quando pediram para ver o gato respondeu de forma evasiva dizendo "que anda por aí".


Queima do gato por acontecemcoisas

Tradição não é um valor moral como se pode perceber por este caso. Tradição é apenas um acto que é perpetuado no tempo pois isso não é justificação para o que aconteceu.

A tradição de Mourão é comer e beber numa festa popular e prender um gato e colocar-lhe fogo tudo porque uma praga de formigas atacava as crianças!! Sim, estranho de facto.

O que você achas destas tradições portuguesas? Comente abaixo.



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